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Resenha crítica do filme “Minha vida em cor de rosa”: um filme feito de olhares que contam histórias.

  A questão de gênero e transexualidade se tornou um dos assuntos mais abordados e comentados dos últimos anos na sociedade brasileira, em que tivemos desde deputados federais colocando perucas e fazendo ofensas a tal comunidade, até novelas em horário nobre apresentando a questão abertamente para as famosas “Tias do sofá” tão conservadoras. Contudo, esse debate latente e fervoroso no Brasil já tinha sido apresentado no final do século passado na França, no filme “Minha vida em cor de Rosa”, indicado ao globo de ouro como melhor filme estrangeiro e tão atual até o momento presente. O filme narra a história de Ludovic, um garoto que na realidade se reconhece como garota, que durante todo filme tenta buscar sua perfeita sexualidade, seja em uma festa de família, vestindo-se com trajes de sua irmã e chocando a todos os convidados, fato o qual o pai atribui a característica “Brincalhona” do filho e a mãe normaliza pela idade, seja levando as bonecas de seu programa da tv favorito para ...

O dançarino da Meia Noite

  É engraçado, não é? O quanto algumas pessoas conseguem ser elas mesmas em mundo em que as máscaras no teatro são uma regra... os papeis sociais tão complexos e emaranhados e lá está você dançando ao sol da meia noite sem qualquer roteiro. Tão livre... tão feliz. É engraçado, não é? O quanto poucas pessoas conseguem cair em meio ao palco e demostrar suas maiores fraquezas as tornando força em um mundo em que o esconder é uma regra... os disfarces tão complexos e emaranhados e lá está você caindo sobre o lago de terra sem qualquer medo. Tão brilhante... tão animado. É engraçado, não é? O quanto uma minoria de pessoas consegue tentar compreender umas às outras e ensiná-las a dançar à sua maneira em um mundo em que todos deveriam dançar da mesma maneira engessada e sem graça... os movimentos tão complexos e emaranhados e lá está você rodando parado com as luzes do palco focadas em seu rosto esperando sua queda... tão esforçado e com tanta fé. É engraçado, não é? O quanto você c...

Depressivo, surtado ou malvado?

  "Isolamento e instabilidade mental" diziam as cartas que ele guardava dentro de sua bolsa azul em uma quarta feira qualquer... as mesmas que ele tão carinhosamente tirava para todos, mas não conseguia ter elas para si mesmo... ele nunca esteve tão só e tão mal acompanhado, por seus piores e mais cruéis pensamentos.  Ele estava depressivo, perdeu a vontade de cantar e gritar... ele era o surtado que nem merecia uma resposta, que tirou todas aquelas histórias da sua própria cabeça atormentada.... ele era o malvado que só queria queimar o filme do doce garoto, ele era o que fazia de tudo para aparecer.  " Amigo , você precisa de um psicólogo" disse uma.  "Onde está sua luz?" Perguntou o outro.  Enquanto ele recebia as mais duras pontadas no próprio coração... um abraço ele não teve... um "Vai passar" não escutou e ele só foi ficando mais triste, mais louco e pior. "Como você vai conseguir ser psicólogo assim?". "Você vai ter que agu...

Rua Gastón de Greslan: a nossa noite

    Caro menino que me bloqueou, Me perguntaram quantas vezes nos falamos durante toda a minha adolescente vida e adivinha só? Essa foi apenas a primeira faísca daquela noite de julho para que eu recordasse aquela fatídica tarde de março de 2018. Eu me lembrei do quanto éramos inocentes. Você era um garoto qualquer de short curto e colado e eu um idiota que andava o mundo em busca do primeiro amor. Você sorria e falava de uma forma tão estranha sobre nossa professora de artes e eu te observava olhando a maneira como seus lábios se mexiam, tão encantado... você era todo novo para mim, você era uma novidade, uma fuga e uma promessa de uma futura amizade, que poderia começar ali sem todas as desgraçadas complicações que viriam depois, mas deixa eu te contar? Todas as complicações começam com coisas simples e naturais. Eu me lembrei de quando você veio caminhando sozinho bem atrás da gente e eu nem tive a coragem de te chamar para a conversa. Você era um menino tão social ...

A garota das flores

  A garota das flores Você me pediu um conto poético para você e eu tão bobo e eu tão perdido, tão cansado e assustado mal sabia o que escrever para você Eu podia te falar do porquê a nossa música tema ser “Coringa” do Jão. De quantas vezes eu imaginei a gente em épicas aventuras que nunca aconteceram... a gente roubando um banco, nas Maldivas ou uma ilha qualquer... você de espiã descendo por uma corda e eu dando em cima do segurança para a gente se safar (Talvez eu tenha uma imaginação bem mais fumegante do que você pensa). De quantas vezes eu me lembro de você dançando na minha festa com o copo na mão e se divertindo como se não houvesse amanhã. Você é minha inspiração Eu podia te falar do quanto as flores me lembram você. De quantas vezes eu imaginei a gente visitando uma plantação de flores vermelhas e dizendo “foda-se” ao mundo que nos cerca e nos prende. De quantas vezes eu curti seus status de planta mesmo sem comentar. Você é minha jardineira Eu podia te falar da s...

O dilema de quem um dia foi o seu tudo

  É engraçado, não é? O quanto algumas coisas eram importantes para nós, eram nossas, e de um dia para o outro é algo comum... Como, por exemplo, a televisão de 32 polegadas, que compramos naquele ano de 2014 para vermos a copa do mundo... eu lembro do seu rosto, estávamos tão empolgados, íamos assistir tantas coisas e ela ainda tinha o “Modo futebol” (Um detalhe que não fazia diferença nenhuma, mas que encarecia o preço por pelo menos 100 reais). Agora ele assiste todas as mais estupidas bobagens, como se fosse o dono, e mal sabe da história por traz, de quantos controles quebramos “Sem querer” e quantas vezes ela me serviu de companhia nas madrugadas, quando não conseguia dormir. É engraçado, não é? Antes sonhávamos em encher nossa velha estante de fotos: viagens para praia, aniversários e formatura. E agora ele, tão intrometido, se meteu em nossos planos e pendurou a foto de sua pequena família ao lado da nossa. É engraçado, não é? Eu acompanhei você por todas as rua...

A rua da minha velha escola

  E tudo terminou ali (O encerramento de um ciclo) onde tudo começou (O começo de um ciclo)  Naquela típica ruazinha, tão modesta e sem graça, que parece perdida no tempo...  As mesmas cerâmicas na calçada das casas, As mesmas árvores centenárias e até os mesmos capins, perdidos pelo meio do caminho e no qual diversos Giovanes já pisaram... Ao meu lado o João Guilherme juntamente a mim, olhando os pontos marcantes em que mudamos nossa vida, nossas trilhas e nossas escolhas.... O local em que diversas vezes tentei falar com você... Enquanto achava ama-lo "So faltava você" eu pensei?  E você apareceu O cabelo como antes O boné branco O short curto Pegou alguns biscoitos, passou as compras e disse adeus sem dar adeus E ali tudo acabou... O antigo giovane foi embora A passagem do mundo velho para o mundo novo