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Rua Gastón de Greslan: a nossa noite

 

 

Caro menino que me bloqueou,

Me perguntaram quantas vezes nos falamos durante toda a minha adolescente vida e adivinha só? Essa foi apenas a primeira faísca daquela noite de julho para que eu recordasse aquela fatídica tarde de março de 2018.

Eu me lembrei do quanto éramos inocentes. Você era um garoto qualquer de short curto e colado e eu um idiota que andava o mundo em busca do primeiro amor. Você sorria e falava de uma forma tão estranha sobre nossa professora de artes e eu te observava olhando a maneira como seus lábios se mexiam, tão encantado... você era todo novo para mim, você era uma novidade, uma fuga e uma promessa de uma futura amizade, que poderia começar ali sem todas as desgraçadas complicações que viriam depois, mas deixa eu te contar? Todas as complicações começam com coisas simples e naturais.

Eu me lembrei de quando você veio caminhando sozinho bem atrás da gente e eu nem tive a coragem de te chamar para a conversa. Você era um menino tão social e eu um guri, que mal sabia me expressar. Você naquele momento era tão diferente, não era aquele garoto intocável de 1.000 km de que se tornou, e eu até hoje não entendo como eu deixei tudo se tornar uma completa merda , mas deixa eu te contar uma coisa? As vezes eu fico pensando que se eu não tivesse criado uma tempestade em um copo de água, se eu simplesmente agisse normal e não colocasse logo na minha testa a placa “Sou apaixonado pelo garoto lá”  e se tivesse buscado sua amizade acima de tudo seriamos amigos hoje e eu não te daria tanto medo.

Eu não sei em que momento eu te deixei com medo... em qual momento isso ficou parecendo uma perseguição bizarra... em qual momento isso passou do ponto ou, simplesmente, como caralhos você ainda se faz presente depois de tantos anos

Me perguntaram em qual momento isso tudo vai passar e eu nem sei da resposta..

Giovo Sampaio


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